Educação permanente

PROJETO DE CAPACITAÇÃO EM EPILEPSIA CAPACITAR E REPLICAR

Programa de Nucleação de Pólo Permanente de Educação em Epilepsia no Programa Saúde da Família

Justificativa

A epilepsia acomete aproximadamente 3 milhões de brasileiros e 50% destes tem as suas crises começando na infância ou adolescência. O estigma da epilepsia ainda é presente na nossa sociedade, excluindo a pessoa com epilepsia do convívio social. O não tratamento e o tratamento inadequado (lacuna de tratamento) são variáveis de região para região, porém de uma forma geral a lacuna de tratamento é a realidade em mais da metade da população com epilepsia. Isto deve-se principalmente a falta de qualificação do profissional da saúde no manejo de pessoas com epilepsia. A grande maioria (70%) das pessoas com epilepsia podem ser consideradas de baixa complexidade pois ficam livres de crises com apenas uma medicação de baixo custo.
Em conclusão:
- As pessoas com epilepsia e suas famílias são um grupo social cuja condição pode ser aliviada na medida em que se elimine o estigma, se tome consciência de que a condição pode ser tratada efetivamente e se adaptem medidas efetivas para a reabilitação daqueles que dela padecem.
- A epilepsia deve ser entendida como um problema de saúde pública, cuja solução é possível se os recursos necessários para seu tratamento e reabilitação se tornarem acessíveis aos pacientes, mediante o desdobramento de uma ampla rede, baseada na ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE;
- O impacto psicossocial e econômico do problema demanda uma resposta social e médico-assistencial ampla e mantida. Tal resposta está amparada pelo fato de que: A EPILEPSIA É UMA CONDIÇÃO TRATÁVEL!

Objetivo

Melhorar a qualidade da assistência prestada pelas equipes do Programa Saúde da Família (PSF) no manejo integral às pessoas com epilepsia.

Métodos

Para atingir o objetivo, são propostos 4 cursos para qualificar o atendimento integral bem como para tornar o sistema (PSF) local auto-suficiente na educações e manutenção do corpo funcional.
Os 4 cursos tem como principais características:

Formar replicadores do curso Capacitação para dar continuidade e ampliação de qualificação da assistência no PSF.
Capacitar os profissionais do PSF no manejo integral de pessoas com epilepsia.
Capacitar os profissionais de saúde do PSF no suporte psicológico de pessoas com epilepsia.
Conscientizar e sensibilizar a sociedade para a magnitude do problema social que a epilepsia representa.
Promover a formação de rede de solidariedade em prol das pessoas com epilepsia e suas famílias.

Como capacitar as 17 mil equipes do PSF no Brasil?

A equipe básica do PSF é composta por um médico, uma enfermeira, um auxiliar de enfermagem, 4 a 6 agentes comunitários. Para que possamos atingir a todas as equipes do PSF do Brasil (17 mil equipes), a ASPE propõe mega-capacitações (veja o exemplo hipotético). Isto pode ser feito nas regiões ou em cada estado. Sendo a última opção potencialmente a mais viável.

Só para fins de exercício matemático de que capacitação das 17 mil equipes é possível tomemos o exemplo real, a mega capacitação no Estado da Paraíba onde foram capacitados 140 médicos e 25 replicadores. Assumindo que cada replicador ministre 3 cursos de capacitação para 35 médicos do PSF, totalizaria ao final 2.625 médicos ou equipe do PSF. Sendo assim, teoricamente, haveria necessidade de fazer somente 7 mega capacitações para atingir as 17 mil equipes do PSF.

Os cursos e público alvo

Este programa é destinado a profissionais do PSF que lidam com a epilepsia no seu dia a dia e que, por isso, queiram capacitar-se no atendimento a pessoas com esta condição. É composto de quatro módulos:

1. Curso Replicadores: publico alvo: médicos. Duração de 16 horas, turma de 20 pessoas. (critério de inclusão: pacto com gestor para permitir os cursos de capacitação, fornecimento de material didático e compromisso de dar no mínimo 3 cursos de capacitação no período de 1 ano com turmas de 35 médicos ou enfermeiros.

2. Curso Capacitação: público alvo: médicos e enfermeiros. Duração de 8 horas, turma de 35 pessoas.

3. Curso Inserção Social: público alvo: profissionais da saúde não médicos, agentes comunitários, líderes da comunidade, pedagogos. Duração de 3 horas, turma de 60 pessoas.

4. Curso suporte psicológico: público alvo: psicólogos e profissionais da saúde de nível superior. Duração de 3 horas, turma de 30 pessoas.

O programa pode ser desmembrado seja em duração ou escolha em particular dos cursos, fazendo-se somente um curso Replicador, ou somente curso Capacitação para médicos da rede básica, ou até, somente cursos para profissionais não médicos.

Quem somos

A epilepsia é a condição neurológica crônica mais comum em todo o mundo e afeta todas as idades, raças e classes sociais. Impõe um peso grande nas áreas psicológica, física, social e econômica, revelando dificuldades não só individuais, mas também familiares, escolares e sociais, especialmente devido ao desconhecimento, crenças, medo e estigma.

SAIBA MAIS!